CHEGA DE CONDUÇÃO COERCITIVA E VAMOS FALAR SOBRE O QUE REALMENTE IMPORTA.

VAMOS FALAR SOBRE O QUE REALMENTE IMPORTA

Por Mario Kendy Miyasaki

 

Há dias estamos assistindo ofensas e debates pela internet sobre a famosa “Condução Coercitiva”, realizada na sexta-feira passada. Os nervos dos correligionários estão aflorados.

Li alguns artigos de doutores da USP que dizem ter sido ilegal o ato praticado pelo juiz Sergio Moro. E no mesmo dia, li inúmeros artigos e pareceres que diziam o contrário.

Há até mesmo uma terceira tese que diz ser um acerto político entre a mídia e a justiça. A referida tese foi levantada pelo então protagonista do dia, que se alto denominou como “vítima” de um sistema. O grande problema é que esta tese de vítima converte a cada minuto mais e mais fiéis para o partido que vem sendo alvo das investigações. Diante da magnitude destes eventos precisamos analisar alguns aspectos sobre a operação Lava Jato e voltar nossos olhares para o que realmente importa, que é a economia e a situação política do nosso País.

1)      O Ex-Presidente LULA é EX-Presidente: Isso mesmo! Ele não tem foro privilegiado, o que se buscou até o momento foram apenas apurar fatos. A procuradoria, o Ministério Público e demais órgãos tentaram inúmeros pedidos de esclarecimentos, mas o ex-presidente possui uma legião de advogados caríssimos e supercompetentes. Estes advogados, somados a enorme influência do ex-presidente, conseguiram manobrar todas as tentativas para a colheita de depoimentos; logo, não restou saída ao Juiz Sergio Moro, se não a tal condução coercitiva.

2)      A Operação Lava Jato não é contra o PT: Simplesmente existem mais candidatos deste partido em proporção de investigados, além de ser o partido que representa o povo no atual momento. Gostemos ou não, o PT está no poder, mas existem fortes indícios sobre desvio de recursos na maioria dos partidos, a diferença é que sempre em menor proporção, isso aliado ao fato destes partidos não estarem no poder neste momento, tornam as pautas desinteressantes, e a mídia trabalha com dois fatores, Atualidade x Importância do Tema. Precisamos entender isso!

3)      Capacidade de Governar: Nunca uma investigação prejudicou tanto um governo legítimo. A operação Banestado, Mensalão entre outras, foram “curta-metragem” perto da Lava Jato. Já são mais de 24 episódios, e cada um mais intenso que o outro. A cada nova colaboração premiada à série, ganha um novo gás. Estamos assistindo um governo engessado em suas ações, com medo e sem qualquer credibilidade para governar o País e nos tirar da lama.

4)      Por falar em Lama: Os números da economia são os piores em décadas, o PIB do Brasil é o segundo pior do mundo, perdemos só para a Venezuela. Os juros bancários são os maiores em 22 anos, o juros no cartão de crédito já ultrapassam os 400% ao ano. A indústria sofreu forte retração. A inflação, o ano passado, foi a maior em 13 anos. O crédito se esvaiu e algumas linhas de crédito como as de financiamento de imóveis ficaram impraticáveis; O desemprego bateu sucessivos recordes em 2015 e em 2016. A inadimplência também vem batendo recorde. O dólar subiu à patamares inimagináveis e as dívidas das indústrias quase dobraram neste período. Só o ano passado mais de 100.000 lojas fecharam, é como se todas as lojas de todos os Shopping Center tivessem fechado em apenas um ano. Segundo a revista Exame, a cada um minuto, 1 (uma) empresa média, pequena fecha as portas, ou seja, até este momento da sua leitura, provavelmente uma empresa fechou, dependendo do leitor, foram duas. Eu posso apresentar inúmeros dados alarmantes, mas nenhum deles supera o que veremos a seguir.

5)    Reforma da Previdência é resfriado: A Dívida Pública é o nosso maior problema, em 10 anos esta dívida disparou, os dados sobre dívidas públicas do tesouro nacional revelam que ela subiu de 1,1 Trilhões em 2004, para 2,79 Trilhões em 2015. Segundo o próprio tesouro nacional, o Brasil gastou mais de R$ 367 Bilhões apenas com os pagamentos dos juros destas dívidas.  Entretanto, existem estudos mais apurados que revelam que se somarmos todas as dívidas juntas, inclusive a dívida externa que foi transformada em dívida interna, este número ultrapassa os 6 trilhões de reais. Uma equipe séria de profissionais da “Auditoria Cidadã”, vêm alertando os brasileiros sobre este assunto, os dados podem ser comprovados do sítio desta entidade. De acordo com este estudo, o Brasil gasta mais de 47% de tudo que arrecada apenas para o pagamento de juros e uma pequena amortização da dívida. Os gastos ultrapassam mais de R$ 790 Bilhões de reais todos os anos, e este número só irá aumentar, já que a ineficiência no governo e o engessamento político deixa o governo sem saída.

6) Um câncer tratado como solução: O crescimento da divida cresce devido a duas situações básicas, o primeiro problema seria os gastos públicos, os gastos do governo veem crescendo ao invés de reduzir e o segundo problema seria a própria desaceleração do crescimento, afinal com menos arrecadação o precisa usar de suas prerrogativas para criar mais dívida e emitir mais e mais títulos, estes cheques pré-datados começaram assustar os investidores e recentemente o Brasil recebeu uma anotação de restrição de crédito nestes títulos, seria uma espécie de “Serasa Internacional”, o nosso grau de confiança passou de bom, para o último nível de investimentos, estamos com a mesma nota da Bolívia, Paraguai e Guatemala, ou seja, o Brasil perdeu o grau de investimento, estas agências deram um selo para o mundo dizendo, “Não invistam no Brasil”, significa dizermos que o Brasil passou de a bola da vez para o patinho feio do BRIX, isso se deve ao fato do tamanho da nossa divida.

 

7)  A Risco de Calote?: O cenário mundial recente e os históricos de crises em países que passaram por situações semelhantes ao Brasil, revelam ser possível sim haver uma “Moratória”, este é o nome que se dá quando um Governo resolve deixar de honrar seus compromissos com os investidores. Recentemente a Grécia e a Argentina deram calotes e a situação se mostrou desastrosa, afinal a moratória seria a pior das soluções, pois antes de um possível calote a inflação teria que aumentar e muito, o primeiro ciclo de inflação já veio em 2015, ela deve dar uma reduzida em 2016 e o motivo chega ser estranho já que não teremos tanta inflação este ano, porque estamos passando por uma recessão, ou seja, como o comércio pode aumentar o preço de um produto que já não estão vendendo? A desaceleração do crescimento e no caso do Brasil o declínio, nos levou a este momento negro na história.

Um problema ainda pode piorar quando falamos de superávit primário, isto porque o Brasil não vem conseguindo pagar os juros da dívida pública, poderíamos chamar esta ocorrência de “O grande alerta”, é muito fácil de entender, afinal, se uma pessoa tem dívidas e estas despesas geram juros e ela não consegue pagar se quer os juros desta dívida, ocorre o que alguns denominam popularmente de “dívida bola de neve”, é difícil imaginar um alerta mais perigoso do que este.

Conclusão: Poderíamos falar sobre inúmeros dados macro econômicos e diversas situações políticas do nosso Pais, mas quero finalizar dizendo apenas o seguinte, será que a condução coercitiva do ex-presidente Lula é uma afronta a constituição e as instituições democráticas? Será que todos os nossos problemas se remetem ao ocorrido recentemente? Precisamos parar de perder tempo com coisas fúteis e inúteis e nos preocupar com o que realmente importa!

Mário Kendy Miyasaki. Técnico em contabilidade; Bacharelando em Direito- PUCPR – Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Autor da Obra – Revisão Previdenciária do Mínimo Divisor. Artigos Publicados: Revisão do Mínimo Divisor – Revista de Direito do Trabalho e Previdenciário Nº 38/ Lex Magister; A Sistemática de Cálculo da Aposentadoria por Invalidez após Recente Decisão do STF – Revista Brasileira de Direito Previdenciário – Nº 08 / Lex Magister. Diretor Comercial da Previcalc – Empresa de Cálculos Previdenciários; Calculista Especializado em Direito Previdenciário; Palestrante e Consultor Previdenciário.

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