Economistas de presidenciáveis debatem cenário econômico

29 de julho de 2014-

Fonte: em.com.br

 

 

Em debate entre economistas ligados aos principais candidatos à Presidência, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, assumiu o papel de defensor da política econômica do governo Dilma Rousseff. Em programa da Globo News para discutir as propostas dos presidenciáveis, Holland foi indicado pela campanha da petista para debater com os economistas Mansueto Almeida, indicado pela equipe de Aécio Neves (PSDB), e Eduardo Giannetti da Fonseca, indicado pela campanha de Eduardo Campos (PSB).

Os especialistas indicados pelos partidos de oposição criticaram o quadro atual da economia brasileira, com baixo crescimento e inflação alta, além de apontar a necessidade de controle do crescimento dos gastos e de uma reforma tributária.

Em um dos trechos com discussão mais quente, Giannetti reconheceu o argumento de Holland de que o ambiente externo deixou de favorecer o Brasil nos últimos anos, mas comparou o País com os vizinhos. “No período do governo Dilma, o Brasil cresceu menos do que cresceu a América Latina. Nosso crescimento está aquém dos outros”, apontou. Holland rebateu: “Como economistas, não comparamos laranja com bananas”. O secretário acrescentou que o Brasil tem uma economia muito diversificada e não deve ser feita a comparação. Gianetti respondeu: “Entendo sua posição de ter que defender o que foi feito nos últimos anos, mas não dá pra tapar o sol com a peneira”.

Mansueto criticou os juros altos no país e lembrou que a economia do setor público não é suficiente para pagar a dívida. “O gasto continua crescendo acima do crescimento da economia. Significa que é uma situação muito séria”, disse. Ele afirmou que é necessário um ajuste fiscal sustentável, o que deve ser feito com uma política de cerca de 5 anos. “Não significa necessariamente cortar gastos, mas controlar o crescimento dos gastos”, afirmou, acrescentando que os gastos do governo devem crescer menos que o PIB. “Por isso que é mais fácil fazer ajuste fiscal com economia crescendo”, disse.


Impostos

Giannetti defendeu que o Brasil não precisa aumentar a carga tributária. “Já temos carga tributária fora do normal para país de renda média”, disse. A qualidade dos serviços fundamentais, como saúde e educação, é péssima, segundo o economista. Ele também defendeu o controle dos gastos. “Defendemos que (os gastos) têm que crescer menos que o PIB.”

Representante da atual equipe econômica, Holland rebateu que os três mais importantes gastos do governo foram reduzidos: encargos financeiros da dívida, gastos de cargos e folhas, previdência. Ele reconheceu a importância de uma reforma tributária, mas lembrou que a tarefa não é simples. Em seguida, o secretário argumentou que as desonerações feitas pelo governo federal tiveram o objetivo de minimizar o peso dos tributos. “A grande agenda é de simplificação tributária”, defendeu.

Mansueto defendeu que é importante dar incentivos, mas que é necessário ter verba para isso. “O governo conseguiu dar incentivos, mas não tá pagando a conta”, disse, fazendo referência ao BNDES.

Holland rebateu que “é conta de contador” não analisar o peso dos benefícios. “Ele cita o lado do custo e não cita o lado do benefício”, disse. O secretário apontou a crise de crédito e disse que o BNDES entrou para compensar a falta de crédito privado.

Para Giannetti, o erro do governo Dilma foi mexer no sistema tributário caso a caso, em referência às desonerações para setores específicos. Ele acrescentou que concorda ser razoável usar o BNDES para expandir oferta de crédito em período de crise. “Mas o governo descobriu um brinquedo. O que era remédio, virou veneno. Aí entra um problema de justiça. O subsídio é transferido para grupo pequeno de empresários”, disse. “Agora transferimos mais para um grupo de empresários, em forma de subsídios, do que transferimos via Bolsa Família.”

Juros

O representante da campanha do PSB ainda criticou os juros praticados no País. “O governo Dilma é um governo de paradoxos. A bandeira era redução de juros e será o primeiro governo a entregar o País com juro maior do que recebeu. Além disso, é um governo desenvolvimentista que fragilizou a base industrial do País”, criticou.

Holland acusou Giannetti de omitir a grave crise internacional e lembrou que a indústria sofre mais com as consequências das incertezas globais. “Demos incentivos para mitigar efeitos das adversidades internacionais”, disse. Holland afirmou ainda que o governo promoveu investimentos em infraestrutura e investiu em qualificação de trabalhadores.

Mansueto acrescentou que a desindustrialização que ocorre no Brasil preocupa, especialmente porque não é possível ver uma saída do túnel. Giannetti concluiu dizendo que o Brasil vive uma situação de 7 x 1, “com 7 de inflação e 1 de crescimento”. “Mudar o rumo terá um custo, mas o custo de não mudar será maior.” A assessoria de imprensa do Ministério da Fazenda informou que o programa foi gravado na última quarta-feira.

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